NOTÍCIA

16/02/2016 17:34

Eduardo Amorim busca soluções para o problema da hemodiálise no Brasil

Os senadores Eduardo Amorim (PSC-SE) e Ana Amélia (PP-RS) estiveram na tarde da terça-feira, 16, em audiência com o ministro da Saúde, Marcelo Castro, para ampliar o debate sobre os problemas enfrentados por doentes renais crônicos, como por exemplo, a defasagem dos repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) para clínicas de hemodiálise.

Segundo Eduardo Amorim, a inércia desses repasses resultam na inviabilização da continuidade do atendimento, o último reajuste ocorreu em janeiro de 2013. “As clínicas acabam fechando e se descredenciam; já o número de pacientes só aumenta, criando um colapso no sistema do atendimento”, explicou o parlamentar ao comunicar que atualmente são 110 mil pacientes renais no país.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), Paulo Luconi, a situação é caótica. “Nos últimos anos o dólar aumentou, a água aumentou, a energia elétrica teve um aumento de 60% e o Ministério continua repassando o valor defasado de R$ 179 pela sessão de diálise, quando o necessário seria acima de R$ 260”, explicou sem conceder esperança ao setor.

Pauta recorrente dos dois senadores, membros titulares da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em 2015 foi realizada audiência pública conjunta com a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) onde foi diagnosticado que 75% dos doentes renais descobrem a doença tardiamente.

Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Carmen Tizanno, a inversão desta tendência só terá êxito se houver intervenção através da prevenção em todos os níveis e a sustentabilidade dos centros de Terapia Renal Substitutiva, já que tanto a hemodiálise como a diálise peritoneal e o transplante renal apresentam números abaixo dos esperados em comparação com os demais países da América Latina e do Norte e da Europa.

Tragédia da Hemodiálise

A ‘tragédia da hemodiálise’ que deixou 60 mortos em Caruaru e municípios vizinhos completou 20 anos neste mês e foi lembrada pelos senadores ao ministro da Saúde e técnicos. “Temos que fazer algo para que não aconteça novamente. A realidade brasileira nessa área ainda é bastante precária”, disse Amorim.

Os parlamentares aproveitaram o momento para comunicar a realização no Senado Federal de uma Sessão Solene para dar continuidade à discussão e buscar novas soluções para o problema. A data prevista será dia 10 de março, dia mundial do rim.

Estiveram presentes na audiência, além dos senadores e do presidente da ABCDT, o assessor político da ABCDT, José Euber Pereira, o presidente da Federação Nacional de Pacientes Renais e Transplantados do Brasil, Renato Padilha, o médico e diretor da Sociedade Brasileira de Nefrologia, Valter Duro Garcia, a presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), Carmen Tizanno e o deputado estadual Gilson Andrade (PTC-SE).